As Escravidões

O post de hoje tem um cunho histórico e é dedicado à reflexões sobre a amplitude da palavra “escravidão”.

O texto a seguir foi retirado do livro “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil”, de Laurentino Gomes.

“O maior entreposto negreiro das Américas sumiu do mapa sem deixar vestígios, como se jamais tivesse existido. Sua localização é ignorada nos mapas de ruas e guias turísticos. Situada entre os bairros da Gamboa, da Saúde e da Santo Cristo, a antiga Rua do Valongo até mudou de nome. Hoje chama-se Rua do Camerino. Ao final dela, em direção à Praia Mauá, uma ladeira chamada Morro do Valongo, sem nenhuma placa, monumento ou explicação, é a única referência geográfica que restou. É como se a cidade, de alguma forma, tentasse esquecer o velho mercado negreiro e a mancha que ele representa na história do Brasil.”

“(…) Quando a corte portuguesa chegou ao Brasil, navios negreiros vindos da costa da África despejavam no Mercado do Valongo entre 18000 e 22000 homens, mulheres e crianaças por ano. Permaneciam em quarentena, para serem engordados e tratados das doenças. Quando adquiriam uma aparência mais saudável, eram comercializados da mesma maneira que hoje boiadeiros e pecuaristas negociam animais de corte no interior do Brasil. A diferença é que, em 1808, a ‘mercadoria’ destinava-se a alimentar as minas de ouro e diamante, os engenhos de cana-de-açúcar e as lavouras de algodão, café, tabaco e outras culturas que sustentavam a economia brasileira.”


Esconderemos um dia os vestígios de nossos abatedouros?

O mundo sofreu profundas mudanças no ultimo século da escravidão negra e o ponto crucial para a libertação dos escravos para mim foi o capital. A Inglaterra, em plena revolução industrial queria um novo mercado consumidor e os negros no Brasil foram um alvo. Acreditando que seriam futuros trabalhadores assalariados, exigiu-se o fim da escravidão.

Se houveram pessoas que lutaram contra a escravidão por motivos, digamos,  mais nobres? Sim, e muitas. Elas é que merecem o mérito da mudança, mas procuro lembrar mais uma vez de não cortarmos as ligações entre a(s) ética(s) e o sistema capitalista, no que diz respeito à pensar o veganismo. Digo isso, porque enxergo o veganismo como uma das relações de lutas que existem em nosso mundo, ele não é separado de outras. Se pensarmos nele separadamente, poderemos conquistar uma vitória, mas uma vitória que nos levará a outra derrota talvez ainda maior. Não há vitímas a serem escolhidas, há vítimas prontas para serem usadas.

post por Vinícius.

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