Um cérebro bem passado

“Está surgindo uma geração que não aprecia o pensamento enquanto tal e que tem sido adestrada a não generalizar. A atividade cerebral captura a forma de imagens vulgares idênticas àquelas apresentadas pela televisão e de uma mentalidade (se assim pode-se chamar) reduzida, que “trabalha com freios” antes quantitativos de informação que com conceitos qualitativos. Considero tal desenvolvimento simplesmente aterrados, na medida em que subverte a mente, impedindo a capacidade de imaginar espontaneamente pela alternativa e de trabalhar de maneira que contradiga as imagens pré-fabricadas que a indústria publicitária (política e comercial) tende a imprimir no cérebro humano. As pessoas começam hoje a perceber todos os fenômenos do mesmo modo que recebem as imagens televisivas: como figurações ilusórias criadas pelo movimento extremamente rápido das partículas eletrônicas na tela de televisão, figurações que despojam a dor, o sofrimento, a alegria e o amor de toda a realidade, deixando-nos apenas uma quantidade unidimensional espetacular. As imagens, na realidade, começam a substituir a imaginação, e a figura imposta pelo externo começa a substituir a ideia formada internamente.”


Logo terminamos de visualizar imagens devastadoras de um terremoto seguido de tsunami e tudo se interrompe para as maravilhosas condições de pagamentos para comprarmos um novo item que nos deixará mais confortável diante da poltrona, ou diante de qualquer outra coisa ‘necessária’. Veja bem, o nosso poder de ajudar outros é mesmo limitado, mas nossas escolhas imprimem, no mínimo, uma chance de desligarmos a televisão e darmos chance à nossa imaginação e pensamento funcionarem de um modo à preservar um pouco de humanidade e não o universo do egoísmo e consumo rápido. Sabemos que a tendencia geral no fim será desacreditar que teriamos uma favorável escolha, que nos levaria à abrir novos horizontes sobre pensamentos e modos de ação, e mergulhar direto no que estão dizendo que importa: comprar e conquistar um bem-estar pessoal. Esse pensamento se transfere para outros campos e logo os julgamentos sobre assuntos delicados se tornam uma imagem não representativa da realidade.

Se há chances de vivermos conectados globalmente, comecemos por não fritar nossos cérebros.

*O texto inicial é de Murray Bookchin.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: