Um olhar panorâmico para as justiças

A Ruckus Society é uma organização com objetivos práticos de treinamento para ações diretas. Eles possuem campos bases espalhados pelos EUA para oferecer além de grupos de estudos, ensinamentos estratégicos para ações diretas nas ruas e florestas. Entre outras coisas, nessa entrevista foi falado sobre maneiras de agir sob uma dimensão impossível de separar:  justiça social e direitos dos animais e ambientais. O que segue são alguns trechos que fiz questão de sublinhar no livro e agora deixo aqui no blog.

florestas para nosso futuro!

“Você realmente não tem como separar os direitos humanos e a justiça social do meio ambiente. Um planeta saudável é o primeiro direito do homem e o primeiro direito do planeta é ser deixado em paz pela porra do homem. Queremos tentar fazer as pessoas entenderem que ação direta é uma ferramente valiosa – senão a mais valiosa – em nossa caixa de ferramentas. Mas é preciso reconhecer que ela não é uma estratégia por si só, é uma tática que pode se encaixar em uma estrutura estratégica e tem que ser entendida como tal.”

“(…) Mas paralelamente a isso havia uma evolução natural e um entendimento de que temos que trabalhar juntos. Metalúrgicos e tibetanos, ativistas pelos direitos animais, hippies e anarquistas, todos precisam perceber que estamos trabalhando com um objetivo em comum. Podemos ter visões diferentes de como ele se concretiza, mas basicamente estamos tentando reverter a tomada de poder das corporações sobre nosso planeta. Estamos vendo um mundo que vai realmente conseguir se sustentar.”

“(…) Elas (as pessoas) se sentem desafiadas a fazerem coisas que não sabiam que podiam fazer. E garantimos que elas consigam – na verdade, elas garantem que elas mesmas consigam. Há um certo poder ao ver as pessoas vencerem obstáculos. É um pouco piegas (…), mas as pessoas vão embora transformadas pela experiência de vencer desafios e confiar em seus amigos – talvez amigos que tenham feito naquela manhã – confiando em suas ferramentas e vendo que não é mágica, que todos nós podemos fazer isso, que todos nós podemos retomar o poder e atirar nossos corpos dentro do maquinário e desativar a máquina se for preciso.

(…) E, algo muito importante, temos que demonstar que não estamos apenas lutando contra as coisas. Não estamos tentando apenas banir as coisas, ou tentando acabar com isso ou aquilo. Também estamos falando sobre começar e construir coisas. O que queremos é realmente pragmático, não é um castelo de vento. Só estamos dizendo que queremos fazer as cidades habitáveis. Queremos recuperar rios e riachos. Queremos proteger a diversidade biológica. Queremos priorizar a educação e a assistência médica ao invés de encarcerar as pessoas.”

“Nos anos 80 em especial, havia muito ambientalismo DIY que colocava a culpa no consumidor, como a reciclagem. É claro que esse tipo de coisa é importante, mas na verdade ninguém tinha permissão para olhar para os paradigmas subjacentes como a cultura consumista, que originalmente criou tanto lixo. As pessoas são forçadas a fazer isso agora porque é absolutamente esmagador tentar lidar com a luta no Tibet, com o trabalho semiescravo, com rios envenenados, esgoto tóxico em comunidades étnicas, lixo nuclear em terra indígena, o constante militarismo, iraquianos morrendo sob um embargo ridículo e racismo global. Há muita coisa acontecendo! Então as pessoas olham para o capitalismo porque é o paradigma econômico sobre o qual tanto dessa opressão se baseia.”

Não vamos parar até que vocês parem!

“Eu acho que se utilizarmos nossa cobertura na mídia mainstream como índice de sucesso ou fracasso, então estamos perdidos. (…) A grande questão é, eu acredito que é possível? Eu acho que não temos escolha. Ou revertemos essa porra de tomada corporativa e reavemos a democracia, ou vamos todos perecer por isso. Isso soa tão cínico, mas há esperança implícita nisso, porque quando as pessoas entenderem o quão desesperadora é a situação, eles vão acordar antes que seja tarde demais.”

As palavras sao de Han Shan, diretor de programa da Ruckus Society, e está no livro “Não devemos nada a voce”, original “We owe you nothing”, de Daniel Sinker (Punk Planet).

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