Os nós da rede

Segue uma pequena análise histórica e uma tentativa de percepção de um momento presente à respeito de movimentos culturais de esquerda surgidos no campo da internet, desembocados no Brasil.

A burguesia de hoje é dependente da classe média em ascensão, ou a que busca essa elevação como o sentido para vida, ou ainda a que faz com que esses desejos sejam expostos em ostentações para cuidar primeiramente dessa nova e necessária aparência ou o sustentáculo considerado essencial para dar o primeiro impulso à gangorra. Mas para o efeito ser mais concreto ou para colaborar com os anteriores, essa classe faz as alianças com a burguesia para dar conta do status quo e esses, não podem mais julgá-los de um lugar distante. Sim, é preciso aproximar-se de quem está subindo, e para isso não há grandes problemas em entrar, ou estar constantemente, em transformações. Isso se chama agradar o parceiro e/ou cliente.


Em outras épocas, a aristocracia já precisou mudar seus valores ou transformá-los quando perceberam estar dependentes de uma classe inferior que seriam seus aliados ou os substituiram nos negócios e na decorrente formação de novos valores.

“O padrão de controle das inclinações, do que deve e não deve ser controlado, regulado e transformado, certamente não é o mesmo neste estágio do que no precedente, da aristocracia de corte. Conforme os diferentes tipos de interdependência, a sociedade burguesa aplica restrições mais fortes a certos impulsos, ao passo que certas restrições, que eram aristocráticas, são transformadas para se adaptarem à nova situação.” (ELIAS, Norbert) Aqui temos o exemplo do advento da grande industrialização e as consequentes mudanças de paradigmas e relações entre as pessoas. Os burgueses usam elementos das tradições para não suscitar duvidas à subordinados que eles são os novos escolhidos, e importante, ainda escolhidos por Deus, mesmo que esse deus tenha acabado de ser transformado para os novos interesses de dominantes.

Porém, palácios isolados e exibições pré programadas não serão mais tão frequentes, pois as fábricas vão exigir olhar mais próximo aos trabalhadores, se comparados à situação anterior. E os trabalhadores então, se veem obrigados à uma completa e nova perspectiva de conviver todo o tempo com o olhar dos companheiros.

Mas falamos do presente momento em que a internet insere novos hábitos, novas velocidades e maneiras de enxergar o que o outrem representa. Também já se concentra como um estímulo para além das dicotomias do que é e do que pode ser o indivíduo: se mostra um campo de relacionamentos políticos que quase são desempenhados de forma imediata, considerando as convocações especificamentes das redes sociais. Se o acesso vem crescendo (não à passos largos, é verdade. E também não somente à internet sendo referida aqui, mas no campo social brasileiro) oportunidades para o capitalismo desempenhar a criação de novos desejos vem junto. Não que tudo seja dessa forma, pois continuam existindo “desejos” básicos sem grandes “influencias externas” dos humanos, como o de não viver sem o mínimo de estrutura social, moradia e alimentação. Mas outra classe, bem menos miserável e que por vezes descartam que ainda existam classes sociais, diga-se de passagem, mantém e fazem crescer hábitos que já estiveram periféricos e agora passam por uma contemplação mais atenta da sociedade e do Estado, (o caso da maconha e sua marcha) mesmo que sem coragem (ainda) de posicionamentos claramente à favor pelos governantes.


Será essa imensidão de informações de nossos dias a alavanca para mudanças radicais, ou será que tanta ignorância de distinção dos fatos também produzidos pelas mídias deixaram a massa incapaz de uma organização verdadeira? Digo verdadeira no sentido de não se inserir dentro do esperado por quem está em situação dominante e a espera de novos parceiros que somente perpetuarão os negócios, ou por assim dizer, a situação favorável às tradições burguesas.


As confusas percepções, os anseios de pertencimento e as tentativas de ser ouvido, geram sem duvidas mudanças nos costumes. Mas são mudanças absorvidas, que não saem de uma fronteira para um “outro mundo”. Pois esse outro mundo não é feito por imediatismos desprovidos de estudos e políticas combativas estruturadas e pensadas para destruição do que já temos aí.

Ao que parece, mais e mais pessoas se cansam, mas ainda estão ausentes posicionamentos claros do que precisa ser feito. Se o momento e as “armas” são propicias à revoluções, então o esforço será em como tratá-lo para conseguirmos alguma eficácia. A ausencia de bases políticas  é o motor para infelizes criarem piadas que lhe agradam o ego enquanto injeta-se  um ar de festa. Estamos fazendo tudo igual (com as transformações esperadas, calculadas) ou essa explosão é um verdadeiro passo à qualquer coisa que nos leve longe da ‘marcha da mesmice histórica’?

2 respostas para Os nós da rede

  1. 10segundos disse:

    Por se tratar de um tema decorrente e que atrai muitos olhares e interesses, peço, se possível, a opinião sobre como veem tudo isso. Tenho curiosidades grandes. Criticas são bem vindas.

  2. Oi amigo. Tudo bem? Vou ler seu texto. Que bom que escreveu.
    Vou te pedir um favor, você tem material sobre pirataria e cópia? Eu estou escrevendo minha dissertação. Beijos

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