O ‘ice bucket challenge’ e os buracos em crânios de ratos nos laboratórios

A América (sic) veio com outra novidade emocionante para o mundo todo: uma história de luta contra a esclerose lateral amiotrófica transformada em espetáculo midiático e viral de internet. Você joga um balde de gelo na cabeça e cura uma doença. Sim, a mensagem precisa ser simples, assimilada em apenas uma frase: Você joga um balde de gelo na cabeça e cura uma doença. É isso; nada mais.

É espantoso, mas as pessoas acreditam. O mundo parece um lugar simples, sem interesses da indústria farmacêutica, sem um emaranhado de acordos obscuros, sem ganância, sem contradições absurdas. Celebridades tomando um banho de gelo e anônimos sofrendo com o ‘ela’ não fazem parte do mesmo mundo. Muito menos faz parte como as pesquisas se desenvolvem em portas fechadas com xs profissionais “responsáveis”.

Antes de mais nada, sobre as pesquisas, de acordo com a própria FDA (Food and Drug Administration, órgão estadunidense que “cuida” da saúde das pessoas por lá), 92% dos medicamentos que funcionam em testes com animais, falham quando esses são testados em seres humanos. Há uma infinidade de outros argumentos contra usar animais para testes, mas não vou ficar citando aqui. Se a fonte for desconectada de gente paga pela própria indústria que lucra com isso ou o profissional responsável não for um imbecil com problemas éticos graves, você vai ler muita coisa interessante que destrói esse mito da necessidade de testar em animais.

No caso da nova febre mundial, a cada balde derramado, novas pesquisas serão feitas. A maioria delas será falsa e ineficiente para as pessoas que realmente precisam de cura, mas vai encher o bolso de alguns poucos donos de laboratórios e marcas de medicamentos; pessoas essas, que lhe garanto que não precisam de mais dinheiro pra nada. Além disso, a pesquisa é cruel com seres que tem um organismo diferente do nosso, mas que podem sentir as mesmas sensações de dor, medo e angústia. O procedimento estúpido pode incluir perfuração de crânio em ratos para inserção da droga – normalmente com conteúdo de doenças paralisantes – enquanto o animal corre desesperadamente numa esteira inclinada, até que se chegue a exaustão física e morra.

A falta de posicionamentos éticos quando se trata dor com mais dor é acompanhada em tratar um problema sério com ridicularização e incentivo à um espetáculo moderno de egos. Ainda temos no pacote o desperdício de fundos com o direcionamento errado para resolução da doença, o desperdício de água e a criação ou a continuação dessa falta de senso de realidade quando pessoas expressam suas boas intenções.

ice

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