Sobre o menino que teve o braço dilacerado por um Tigre num zoológico.

Eu tenho uma pequena contribuição diante das notícias (Julho/2014), pois diante do fato resta apenas lamentar a dor e as sérias consequências de se amputar um braço de uma criança de 11 anos.

A maneira que se relata uma tragédia dessas, infelizmente insere-se em tradições que seguem um caminho de desprezo e ignorância em relação ao tratamento que as manchetes situam os animais ao fato ocorrido. O foco é sempre achar culpados, resumir as informações do sofrimento alheio e então, o que a polícia tem a dizer. Isso basta e seguimos em frente. No máximo, deixamos a justiça dos homens tomar alguma atitude que limite as chances do problema voltar a ocorrer. E quando falamos isso, falamos com sentimento de nobreza que não desejamos de forma alguma que uma dor irreparável aconteça novamente com outro; outro ser humano.

Essa premissa possui dois problemas graves. O primeiro, como já destaquei, é que ela direciona-se apenas à nossa espécie animal e não às outras, que também possuem interesses de viver uma vida que não seja a da escravidão. O segundo problema é que justamente não se encara como um “problema”, mas como uma falha. E eu vou falar uma novidade: existe um abismo entre essas duas palavras. Uma falha é algo que sai do controle quando supomos um sistema de funcionamento perfeito. E eu gostaria muito de saber quando que criar um ambiente artificial, claustrofóbico e depravado se constitui em algo que alguém possa chamar de aceitável. Nós temos um problema inicial, um princípio errado e uma sociedade que mantém em funcionamento, literal e culturalmente, esse problema.

Tiramos seres dos habitats em que vivem, mudamos todas as suas necessidades, ignoramos suas vontades, desprezamos sua biologia, destruímos todos os aspectos de seus comportamentos e então chamamos as pessoas que nos são queridas para ir olhar isso? Para um “passeio”? Pois não parece um passeio pra mim.

Zoológicos são um problema. As falhas estão na essência. Essas jaulas, onde se depositam vidas tratadas como coisas é a pobreza inicial de uma civilização especista e apática. Se temos um problema enraizado, sempre vai gerar consequências, é mais do que óbvio. A ignorância de um pai ao achar que está proporcionando alegria ao filho levando-o até aquele triste cenário é apenas consequência dos nossos problemas. Há um aviso para não pular a cerca? Sim, há. Mas é preciso mais do que isso, é preciso lucidez para entender que ali tudo é irreal, tudo é montado de forma enganosa à nós mesmos. Não é uma pequena regra de conduta que vai parar a nossa ignorância e a nossa péssima interferência em seres que não pertencem ao mesmo espaço que nós.

Se olhamos para um animal sem respeitar a sua individualidade, sem levar em consideração que estamos diante de um sujeito que possui direitos e interesses próprios … O que mais pode-se esperar?

Fechem os zoológicos já!

aaa

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